top of page

Uma homenagem à mãe e à força da arte

  • 30 de jan. de 2017
  • 3 min de leitura

Palestrante e expositora do VI Ciclo de Palestras da Elan Vital vai falar de sua representação da energia materna no mundo

No despertar do terceiro milênio, a humanidade caminha para um caos planetário. A economia se degenera, o ecossistema se desequilibra, os valores morais são corrompidos. O racionalismo e o materialismo justificam tudo e conduzem a humanidade para um caminho de autodestruição. Buscando um fio condutor em meio a este caos, muitos já são os que buscam aquela que representa a semente interior, que habita cada ser, que nutre, preserva e guia. Onde se esconde a Mãe, a Deusa, o eterno feminino que representa o poder criador? Ela atravessou eras, através de símbolos imortais e de incontáveis nomes que o imaginário dos mais diversos povos fez questão de preservar. E agora, precisando de amor materno, incondicional, de um colo e de limite, a humanidade clama por Ela. Não é por acaso que a globalização nos trouxe a noção incontestável de uma nova realidade, da qual fazemos parte, como células, de um mesmo corpo planetário. Não é por acaso que a Era de Aquário despeja sobre nós a água da vida, uma das principais representações maternas. Ela tem o poder de unificar todos os povos, que se descobrem gotas de um mesmo oceano. Esta exposição é uma homenagem à Mãe, e a todas as forças que nos movem em sua direção. Procurei representá-la, poeticamente, através de uma simbiose cultural e artística, que me permite mesclar suas diversas formas visuais e ícones que resistiram ao tempo.

Busquei inspiração em meu próprio silêncio, caminho mais seguro em sua direção.

Minha exposição também é inspirada no livro A Mãe e a espiritualidade, do francês Gwenael Verez, resultado de longa pesquisa sobre os ícones utilizados para representar a mãe e a Deusa desde a pré-história, passando pelas mais diversas culturas.

Como a arte se manifesta para ajudar a superar obstáculos

Sou artista plástica formada pela Universidade Federal de Minas Gerais. Esse é um título que me acrescentou experiências e algumas técnicas, porém não mais importantes do que a vivência de desenhar viagens em caderninhos que minha mãe levava, com lápis de cor, para que pudéssemos fazer registros, aprendendo a ver e reler nossas impressões através de traços e cores.

Alguns professores me mostraram que minha linha podia chegar muito longe. Outros me ensinaram enxergar o que existe além dos objetos. Outros, ainda, me levaram a desacreditar, muitas vezes, da minha capacidade. Creio que esses tenham me ajudado a me superar, depois de quase desistir muitas vezes, e às vezes por muito tempo! Até aprender a me fortalecer e acreditar!

Fiz algumas exposições, ilustrações para livros, cenários, fotografias, pinturas murais e corporais, artesanato... Também experimentei pesquisar sobre a preocupação social na arte brasileira e sobre a arte popular, naquela época tão desvalorizada nas escolas de Belas Artes. Mergulhei na teoria e descobri muita coisa, até descobrir que a vida me ensinaria mais!

Morei em Granada, Espanha, onde tive o privilégio de contemplar a arte moura, tão rica em detalhes, fontes e fé. Quase morei no Recife, onde descobri que as cores, o sol e a alegria formam uma mistura que se tornou fonte de inspiração. Quase morei em Ouro Preto, onde, ao subir e descer ladeiras, o tempo para e a gente assiste a vida, como num filme. Morei em Valparaíso, Chile, onde descobri que um povo introspectivo e sofrido pode se transcender através das cores de suas casinhas nos morros e de um emaranhado de fios de luz que desenham, pelas ladeiras estreitas, as linhas de suas vidas misteriosas. Morei no Tocantins, próximo à Ilha do Bananal, onde conheci o cuidado estético e o esmero com que os caboclos cuidam de suas casas isoladas no coração do Brasil.

Dancei muito! Dança indígena, espanhola, chilena, cubana, nordestina, mineira... acho que minha obra dança um pouco também. Cantei andando pelas ruas de todos os lugares onde fui, ouvi músicas ao pintar e escrevi suas letras em meus quadros, até que eles aprenderam a cantar um pouco também.

Vivenciei a cultura popular de diversas partes do Brasil, ao participar, por alguns anos, de um grupo de danças brasileiras. Aprendi muito com nosso povo simples, sábio e hospitaleiro. Observei a natureza de todos os lugares por onde passei, a diversidade estética e cultural e me encantei com a ciranda pernambucana, que representa tão bem a mistura de raças, credos, experiências e culturas que dançam juntas de mãos dadas. Até hoje minhas pinturas giram em círculo e em espiral, buscando esse ideal.

Procurei muito do lado de fora e encontrei algumas partes do meu quebra- cabeça, que só começou a tomar forma quando comecei a procurar dentro de mim. Aprendi a meditar,a escutar o silêncio, e descobri que o universo inteiro também existe dentro de cada um de nós. E só então, a arte começou a se manifestar em minha vida com plenitude. Agora sigo com firmeza este caminho.

 
 
 

Comentários


Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square

©  Elan Vital 2016 por Quero+Digital

R. Senador Lima Guimarães, 229

Salas. 1 a 3 - Buritis/ Belo Horizonte

Minas Gerais - CEP 30455-600

  • White Facebook Icon
  • White Twitter Icon
  • Instagram - Grey Circle
bottom of page